Uece discute viabilidade da Fiocruz de assumir a produção industrial da vacina cearense

O imunizante HH-120-Defenser encontra-se em fase de pré-submissão para aplicação em humanos (Foto: Divulgação/Uece)
Iimunizante HH-120-Defenser está em fase de pré-submissão para aplicação em humanos.Foto:Uece

Pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (Uece), responsáveis pelo desenvolvimento da possível vacina cearense contra Covid-19, estiveram em reunião com o diretor da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Ceará, Carlile Lavor, nessa segunda-feira, 24. O encontro teve o objetivo de discutir a fabricação e a viabilidade da Fundação de assumir a produção industrial do imunizante. O início das atividades entre as instituições está previsto para junho deste ano, quando será realizada uma oficina de trabalho.

Atualmente, a HH120 Defenser (nome da vacina cearense) encontra-se em fase de pré-submissão à Anvisa para o início dos testes em humanos. Conforme o reitor da Uece, professor Hidelbrando Soares, a reunião teve objetivo também de apresentar à Fiocruz Ceará as recomendações da Anvisa para o pedido de estudos clínicos. 

O pesquisador do Laboratório de Biotecnologia e Biologia Molecular da Uece e doutorando do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia (Renorbio/Uece), Ney Carvalho, destacou, durante participação na live do O POVO Tecnologia desta quarta-feira, 26, a atuação da Fiocruz. “A gente utilizava a vacina veterinária, então precisaríamos entrar em contato com uma empresa que já produz a vacina em formato humano. Essa é uma das exigências da Anvisa”, informa o pesquisador.

Ainda conforme Ney, a Fiocruz não modificará a vacina, mas deve direcionar o imunizante para o formato humano, pois a empresa já trabalha com outra vacina contra a Covid-19. “É pegar o vírus da ave [animal] que está na vacina e passar pelo processo de produção de vacina humana. Isso deve ocorrer só porque a Anvisa precisa fiscalizar essa linha de produção. Com isso, a vacina vai sair com um rótulo dizendo que é para uso humano”, explica Ney.


“A reunião foi muito positiva, de alinhamento entre a Universidade e a Fiocruz. Acordamos a realização em 15 a 20 dias de uma oficina de trabalho envolvendo pesquisadores da Fiocruz, tanto nacionais como do Ceará, com a equipe de pesquisadores da Universidade, para tirarmos as dúvidas que, por ventura, a equipe da Fiocruz tenha. Avaliamos a viabilidade da Fiocruz de assumir a produção industrial da vacina”, reforçou o reitor da Uece, Hidelbrando Soares.

Confira as etapas dos estudos clínicos da vacina
Fase 1 
Voluntários sadios (100 adultos) – entre 18 e 60 anos.
Nesta etapa, serão realizados testes com pessoas sem comorbidades

Fase 2 
Voluntários (100 – 1.000 adultos)
Nesta etapa, será a vez de pessoas acima de 60 anos, com comorbidades

Fase 3 
Milhares de voluntários (30 mil a 60 mil), de preferência de outros estados do País, com perfis diversificados. É realizada comparação entre grupo imunizado e grupo controle. 

Fase 4
Após a aprovação da Anvisa e vacinação em massa com o imunizante, há monitoramento da produção, sistema de notificação de eventos adversos e avaliação da segurança real e efetividade da vacina.

Fontes: Manual Noticiando Vacinas (Agência Bori) e Ney de Carvalho Almeida (Uece)

OPOVO online – Por MIRLA NOBRE 21:41 | 26/05/2021FacebookTwitter

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